Fonoteca Municipal do PortoFMP

Sorcerer

Clara Araújo

Resenha

26 Setembro 2020

A estreia dos Tangerine Dream na música para filme
Não se deixem enganar pelo título. Sim, Sorcerer é a banda sonora do filme de 1977 de William Friedkin com o mesmo nome, mas é muito mais que isso. Não é preciso ver o filme para rapidamente entrarmos no sonho espacial que os Tangerine Dream criam desde a primeira rotação. Isto torna-se ainda mais claro ao descobrir que a banda sonora foi composta antes do início das filmagens, decisão que talvez não tenha sido a mais acertada no que diz respeito ao filme. Quanto à música, ainda bem que assim o foi.

Friedkin descobriu a música dos Tangerine Dream durante a estreia do seu aclamado filme O Exorcista, e um ano depois entregou-lhes o guião do que viria a ser Sorcerer. Esta total liberdade criativa resultou na electrónica berliniana a que Phaedra tinha já habituado os seus ouvintes, diferenciando-se pelos ambientes sonoros que esperaríamos de música feita para filme.

A quem ficou perdido nas paisagens sinistras dos primeiros cinco minutos do lado A, este é apenas o início. A estrutura pouco definida, a exploração de texturas a partir dos timbres obscuros dos sintetizadores marcam a sonoridade do álbum. As guitarras de Edgar Froese passam assim para segundo plano nas suas escassas aparições.

É certo que o filme foi recebido com fraco entusiasmo, talvez por ter estreado um mês após o primeiro filme da icónica saga de George Lucas Star Wars, ou talvez porque o filme não estava destinado a obter grande sucesso. De qualquer forma, iniciou os Tangerine Dream no mundo das bandas sonoras e embora não seja o álbum mais marcante da sua primeira fase, merece certamente a sua escuta.

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