12 Fevereiro 2026
Já se tinha passado mais de um ano e meio da morte de Ian Curtis quando o segundo álbum dos The Sound foi publicado em novembro de 1981. Se o mundo fosse um lugar justo, Adrian Borland (guitarra, voz) deveria ter sucedido a Curtis como a voz dos deslocados, dos que procuravam luz para a sua escuridão. Ao invés, Borland e os The Sound, apesar da aclamação da crítica especializada, nunca chegaram a ouvidos suficientes. A banda foi elevada a estatuto de culto, de maior culto, onde cada álbum merece ser escutado com atenção. O seu segundo álbum, From the Lion’s Mouths, é o magnum opus dos britânicos, onde Borland e os seus companheiros - Michael Dudley (bateria), Graham Green (baixo) e Max Mayers (teclas) – refinam a fórmula de pós-punk existencialista de Jeopardy, o seu álbum de estreia. Para trás, ficou a veia meio política da banda, substituída por uma introspecção influenciada por Closer dos Joy Division. Em From The Lion’s Mouth, após alguns vislumbres em Jeopardy, Borland revelou mais sobre as suas lutas internas. Essas lutas levaram Borland a tornar-se numa
figura quase tão mítica como Ian Curtis, quando se suicidou em 1999 aos 41 anos. Em New Dark Age, canção que encerra o álbum, Borland dá pistas para as ideias que divagam na sua mente: “In the darkest times / Darkest fears are heard / And from the safest places / Come the bravest words”. A música era a sua salvação. Talvez seja por isso que, em From the Lion’s Mouth, as canções estão em constante luta entre soarem escuras, mas nunca escuras o suficiente para servirem de escape niilista, e luminosas, mas nunca luminosas o suficiente para servirem de farol a esperanças falsas de que irá ficar tudo bem. Depois, entre delírios e benesses, canções que variam entre soarem dançáveis e orelhudas (Skeletons, The Fire) e meditativas (Judgement, Silent Air). Malhas incríveis, que só se tornam mais incríveis quando nos apercebemos da coragem de Borland para as interpretar com todo o coração. Álbum brilhante.
figura quase tão mítica como Ian Curtis, quando se suicidou em 1999 aos 41 anos. Em New Dark Age, canção que encerra o álbum, Borland dá pistas para as ideias que divagam na sua mente: “In the darkest times / Darkest fears are heard / And from the safest places / Come the bravest words”. A música era a sua salvação. Talvez seja por isso que, em From the Lion’s Mouth, as canções estão em constante luta entre soarem escuras, mas nunca escuras o suficiente para servirem de escape niilista, e luminosas, mas nunca luminosas o suficiente para servirem de farol a esperanças falsas de que irá ficar tudo bem. Depois, entre delírios e benesses, canções que variam entre soarem dançáveis e orelhudas (Skeletons, The Fire) e meditativas (Judgement, Silent Air). Malhas incríveis, que só se tornam mais incríveis quando nos apercebemos da coragem de Borland para as interpretar com todo o coração. Álbum brilhante.